Aprendendo a gostar

Aprendendo a gostar

Na Crônica anterior o assunto foi um sobrevivente ao tempo, e abordamos a valentia do Land Rover, que após décadas e mais décadas, continua firme em seus propósitos de ser um utilitário valente e durável, e resistir aos modernismos. Mesmo tendo evoluído bastante esses anos todos, ele manteve a essência de seu lançamento.

O assunto agora é caseiro, ou seja, um Jipão que foi fabricado aqui no Brasil e fez História nas precárias estradas do País. Eu sei que você está pensando”mas as estradas continuam precárias”!. Sim, mas já foi ainda pior, pois em épocas passadas em alguns bairros das Capitais só se chegava de Jipe, e se chovesse, com correntes nos pneus. Para viajar para o interior do Estado era uma aventura, que exigia valentes foras-de-estradas, e os carrões de luxo tinham suas restrições nestes casos.

800px-Ford_F75_Pickup

Pick-up F75, linda, forte e confiável, igual a que eu andava quando criança

Quando criança, após o Land Rover ser vendido, passamos a andar de F-75 durante um tempo. Ela Começou a ser fabricada pela Willys Overland como Pick-up Jeep em 1961, e no ano seguinte já teve uma versão 4×4, o motor era um seis cilindros em linha, mesma motorização e plataforma da Rural.Com o passar do tempo, passou a ser fabricada como F-75 pela Ford e chegou a ter um motor 4 cilindros a álcool, mecânica que equipava o Maverick e o Taurus Americano, até sair de linha.

A Willys Overland oferecia carros fortes e adaptados para o Brasil, que estava desbravando suas estradas e o público para este tipo de veículo era fiel e dependente de seus carros para se locomover em condições difíceis, e criaram gerações com o sustento que estes carros ajudaram a conquistar, carregando mercadorias e tudo o que fosse preciso, ajudando na rotina de trabalho diária. Carros amados e desejados pela sua utilidade e confiabilidade. Com o tempo foram ficando obsoletos e dando lugar a carros mais leves e econômicos e que davam conta do serviço em estradas melhores. Mas lá em casa, a pick-up logo deu lugar ao Jeep Willys, que era mais prático, uma vez que ela andava sempre vazia, então não havia sentido em utilizá-la no dia a dia da cidade.

aprendendo a gostar1

Jeep parecido com o que eu andava; apenas mais original

O Jeep era muito mais prático, tinha um potente seis cilindros e uma arrancada que deixava a maioria dos carros para trás, mesmo com a caixa mais reduzida. Lógico que em matéria de conforto deixava muito a desejar, mas como éramos novos, tudo era diversão e ainda não conhecíamos dores nas costas. Hoje com o padrão de exigência que criamos, é difícil circular pelas ruas com um valentão destes, mas ele faz muito sucesso ainda nas trilhas por aí afora. Começou a ser fabricado no Brasil em 1954 e passou por algumas poucas mudanças até que a Ford assumiu o controle acionário e manteve-o em linha até 1983, utilizando também a mecânica 4 cilindros do Maverick.

aprendendo a gostar2

Tive um Jeep igual a este, que na época já era antigo. Imagine hoje a relíquia

Olhe que beleza este Jeep 51 da foto à direita. Em 1979 eu comprei um destes que iria para o ferro-velho, e após dois anos de trabalho em família, ficou novo em folha! Não coloco foto dele pela péssima qualidade, pois na época era difícil uma câmera fotográfica legal. Até aqui dá para perceber a estreita ligação que eu tive com os Jeep Willys, e o carinho reservado para este maravilhoso veículo pelas suas virtudes e carisma.  O Jeep teve importante papel na Segunda Guerra Mundial e trabalhou incansavelmente pelo exército Americano, sendo que o nome do veículo vem de general purpose, veículo de uso geral, abreviado para suas iniciais gp, pronunciadas em inglês como jeep. Mas para mim foi o primeiro carro, e o modelo 1951 ainda era Americano, tal qual o usado na guerra, então imagine como era forte. O motor era um pequeno 4 cilindros, quadradinho como o do Corcel, e tinha uma caixa super-reduzida, tração 4×4, reduzida separada com acionamento por  alavancas no assoalho e roda-livre dianteira, manual, motor de arranque acionado no pé por um botão e limpador de para-brisa também na mão. Pura diversão!

Mais algumas fotos de Jeeps:

aprendendo a gostar6

Jeep equipado Off-Road

aprendendo a gostar5

Jeep 1951 encontro de Domingo Ctba

 

 

 

 

 

 

 

aprendendo a gostar4

Jeep Willys à direita na foto.

aprendendo a gostar3

Jeep em encontro em Shopping Center

 

 

 

 

 

 

UM FORTE E VALENTE ABRAÇO PRA TODOS E UM MUITO ESPECIAL PARA OS JEEPEIROS QUE PRESERVAM ESTA MEMÓRIA VIVA!

Endereço de um dos clubes que preservam a memória dos Jeeps:

http://www.jeepclubecuritiba.com.br

 

 

 

CC BY-SA 4.0 Aprendendo a gostar by Baú dos Antigos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

Post Tagged with , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *