Carmina Burana – Obra prima de Carl Orff ou cantata Profana?

Carmina Burana – Obra prima de Carl Orff ou cantata Profana?

 

cenas de teor sensual em Carmina BuranaO compositor alemão Carl Orff compôs esta cantata cênica à partir de um manuscrito de 254 poemas e textos dramáticos dos séculos XI, XII e XIII. Embora o prólogo e o final sejam muito conhecidos do público, por ser usado em diversas ocasiões, como comerciais e filmes, e até regravadas por roqueiros, trata-se de obra pouco conhecida e estudada em todos os seus movimentos, suas origens e significado. Hoje vamos penetrar na História mais à fundo e decifrar alguns mistérios desta cantata profana e satírica deste gênio alemão, que se recusava a falar publicamente de seu passado. Então vamos lá:

Primeira parte: A obra

Carmina Burana

A obra foi escrita em 1936 e estreou no ano seguinte, em Frankfurt, e faz parte de uma trilogia que Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os “Catulli carmina” (1943) e o “Trionfo di Afrodite” (1952).

Tinha o subtítulo “Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae”, e por suas características, pode ser definida também como uma “cantata cênica”. Orff relutava em denominar seus trabalhos simplesmente como Óperas, pois envolvendo elementos diversos, tanto cênicos como históricos, cada trabalho deveria ter sua denominação conforme a configuração musical. Orff optou em Carmina Burana em escrever uma composição musical totalmente nova, embora nos manuscritos já tivessem alguns traços musicais para alguns trechos.

cartaz de apresentação de 1960

cartaz de apresentação de 1960

Carmina Burana é estruturada em prólogo e duas partes. No prólogo há uma invocação à deusa Fortuna na qual desfilam vários personagens emblemáticos dos vários destinos individuais. Esta você conhece bem. Na primeira parte se celebra o encontro do Homem com a Natureza, particularmente o despertar da primavera ou a alegria da primavera. Na segunda parte, “In taberna”, predominam os cantos goliardescos (Os Goliardos, na Idade Média eram clérigos pobres, egressos das universidades. Desamparados pela Igreja, que se tornavam-se itinerantes, vagabundos, de espírito transgressivo e provocador); estes cantos da segunda parte celebram as maravilhas do vinho e do amor, culminando com o coro de glorificação da bela jovem. No final, repete-se o coro de invocação à deusa Fortuna. Fonte de consulta: Wikipédia.

Para começar, vamos ouvir “O Fortuna”, por André Rieu, apresentado em 2012, prólogo da cantata e trecho mais conhecido:

 

O Fortuna, Imperatrix Mundi


Segunda parte: A análise da obra

Você ouviu este prólogo, executado com a regência do virtuoso André Rieu (André Léon Marie Nicolas Rieu). Espero que tenha ouvido, pois esta segunda parte depende disto. Existem discussões sobre a qualidade musical da obra ou do autor, mas são poucas e inconclusivas, e sempre de um ponto de vista passional.

Suponho então que Carl Orff não criou uma legião de admiradores devido a sua origem familiar, de alta burguesia, e ativa na vida militar alemã. Numa época em que o nazismo aflorava, ficava difícil se expressar sem se posicionar para um ou para o outro lado sem se ferir, e criar polêmica.

representação da "Roda da Fortuna"Para piorar a situação, ele não se manifestava em público, e esta obra era profana, ridicularizava assuntos muito levados à sério, como a igreja e a ascensão social (roda da fortuna); certamente não seria tão forte a crítica se não fosse a época, mas quem sabe até hoje incomode os mais religiosos e puristas, que acabam desprezando o lado artístico do autor, por estarem predispostos a defender sua posição ortodoxa. Em resumo, pouco se discute à respeito de Carmina Burana, que além disto, tem uma continuação, visto que é a primeira parte de uma trilogia, esta então, totalmente desconhecida. Mesmo sendo muito atual, parece-nos milenar, e para mim ela tem um encantamento popular, ela reúne o povo numa obra que, mesmo não sendo ópera, se assemelha a esta e abre novas perspectivas para o ouvinte, agregando elementos melódicos que levam-no a ter mais sensibilidade musical e procurar obras mais clássicas, expandindo e saindo por um momento deste universo moderno e atual de músicas de moda, comerciais e passageiras como um jornal de ontem. 

Para você que se interessa pelo assunto, e teve coragem de chegar até aqui, vamos terminar esta matéria ouvindo Carmina Burana completa, e ainda com a tradução, para que você realmente entenda a discussão que há em torno da obra:

Carmina Burana Completo Legendado – Copenhagen Royal Chapel Choir – DR Simphony Orchestra

Terceira Parte – Final: Discussão

Para finalizar esta matéria, fica o convite para uma reflexão sobre os nossos costumes e interesses. Por vezes ouvimos ou conhecemos uma obra ou um assunto de forma superficial, não nos importando com a História por trás do fato ou obra. Em minha pesquisa percebi que as críticas à obra são mais expressivas do que os elogios, e as fontes apenas se resguardam em registar os fatos e descrições, bem diferente do que se costuma observar. Porque motivo isto acontece? Discordo das opiniões negativas sobre a obra e o autor, e me impressiono com a sua performance e a sua capacidade em criar algo tão envolvente e de sonoridade voluptuosa. Sendo assim, provoco o internauta à participar, dar sua opinião, e comentar sobre o que foi escrito aqui, sobre as minhas conclusões e enfim, não deixar de aproveitar oportunidades como esta de parar e pesquisar sobre um tema controverso, pois afinal…Cultura Antiga também é polêmica. Aguardo sua participação!

 

Eu sou o Mauricio Super

Amante de História Antiga

CC BY-SA 4.0 Carmina Burana – Obra prima de Carl Orff ou cantata Profana? by Baú dos Antigos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *