Curitiba 326 anos —— Caminhando pelo Rebouças dos carros antigos e casarões

Curitiba 326 anos —— Caminhando pelo Rebouças dos carros antigos e casarões

No próximo dia 29 de março Curitiba comemora 326 anos, e para quem mora por aqui o que importa é ter uma cidade boa. Mas não é o que importa para quem a administra, e nunca usa a cidade do jeito que nós usamos; de carro, de ônibus, à pezão ou de bike, expostos diariamente à tudo de bom e de ruim. Mas para começar, conheça melhor Curitiba do ponto de vista do João Pedrada:

 

Sou curitibano, e estou puto com este cara! Então, vamos falar sério e ver uma sessão de fotos feita neste Domingo de manhã, a pé pelo Rebouças, onde moro, que ainda é bem antigo, e está em fase inicial de modernização, começando a ser explorado pelas construtoras para residenciais e comércio mais nobre. Claro que Curitiba é muito mais do que isto, mas esta é uma amostra da cidade, que envelhece rapidamente aos 326 anos. Venha caminhar comigo:

Colégio Xavier da Silva

Colégio Xavier da Silva

Começamos pelo Colégio Xavier da Silva, considerado o primeiro grupo escolar do Paraná, inaugurado em 10 de dezembro de 1903, portanto com 116 anos, e que foi tombada pelo Patrimônio Estadual em 2012, e reconhecido como uma Unidade de Interesse de Preservação do município. Mas para quem caminha pelas suas calçadas percebe que estas estão em péssimo estado, como a maioria das calçadas da cidade, que é uma reclamação muito antiga dos moradores daqui.

Colégio Xavier da Silva

Colégio Xavier da Silva

Colégio Xavier da Silva

Colégio Xavier da Silva

prédio histórico

Lampiões do passado

No aspecto geral o prédio está bem conservado, mas percebe-se algumas rachaduras na construção, como na imagem. É um ótimo colégio, premiado pela qualidade de ensino e bem administrado. Com certeza merecia uma atenção em relação ao seu entorno, não só com a revitalização das calçadas, como da própria avenida Silva Jardim, que pelos sucessivos remendos do asfalto, parece mais uma montanha russa do que uma importante avenida da cidade, visto que por ela trafegam enormes ônibus de viagem, no trajeto da rodoferroviária, sem falar nos constantes engarrafamentos diários, pois carros e ônibus de linha também competem pelo espaço desta importante avenida rumo aos bairros. Esta é a Curitiba que eu conheço, que eu utilizo diariamente. Caminhando mais adiante, continuamos vendo prédios históricos que marcam uma época romântica, em que os lampiões iluminavam as caminhadas noturnas que hoje não devem mais ser feitas, pois o toque de recolher noturno não é lei, mas é bom senso pelos assaltos e violência. Fica até engraçado constatar isto, pois a sede da Polícia Militar do Paraná fica na quadra de baixo, o que deveria nos dar confiança em morar neste bairro, mas não. Vamos em frente…

Estação das flores

Estação das flores

Enfim, estamos na estação das flores, elas são lindas e estão espalhadas pela cidade, que se torna muito agradável e enfeitada. São árvores vistosas e enormes, que mereciam uma atenção maior da Prefeitura, visto que não só aqui em Curitiba, mas pelo Brasil afora pessoas são esmagadas quando a ventania dos temporais derruba-as causando pânico. Problema sem solução, pelo visto, pois à cada acidente lamenta-se as mortes e fala-se em estudos sendo feitos pelos burocratas e nada de soluções práticas.

E a praça do Atlético? Todos os Domingos recebe carros antigos que já fazem parte do passado da cidade, e nos levam para uma época em se fazia carros com amor, carros com personalidade e que proporcionavam o prazer verdadeiro em guiar. Veja estes detalhes e recorde com saudade:

detalhe 1 carro praça

detalhe 2 carro praça

detalhe 3 carro praça

detalhe 4 carro praça

detalhe 5 carro praça

detalhe 6 moto praça

Domingo sempre vou à praça, e revejo amigos e antigomobilistas que sentem saudade, como eu sinto, daqueles Domingos em que ocorriam os famosos encontros de antigos, que foi desarticulado pela Prefeitura com obras inúteis que deformaram a praça, e os motivos não se sabe ao certo, mas o encontro acabou… Acabou nada, os antigos continuam se encontrando por lá, agora misturados aos novos, mas estão por lá todos os Domingos, mesmo que eles não queiram. Esta atitude da  Prefeitura mostra o descaso com a memória, então isto fica por conta do cidadão, mesmo contra a correnteza.

Grafite em 3D

Grafite em 3D na pista de skate

Mas além dos carros e motos, a praça tem alegria, tem equipamentos de ginástica e pistas de caminhada, e tem também pista de skate e quadras de esporte. Este grafite em 3D tem a cara do skate. E a praça está renovada após a copa.

Praça renovada

Renovação da praça após a copa

Muro de pedra em terreno baldio

A vida insiste em muro de terreno abandonado

Casarão abandonado

Lindo casarão, mas abandonado

Desenhos no portal de entrada

Desenhos em portal de entrada

 

 

 

Como já mencionei, o Rebouças está em fase de modernização, e muitos casarões estão abandonados, virando moradia de marginais, muitos terrenos estão baldios e se enchendo de lixo e sujeira, e a Prefeitura não tem nenhum controle disto, assim a cidade vai ficando feia, com aspecto decadente e de abandono público e proliferando doenças, e parece impossível uma solução para este problema, dando a sensação de que nem incomoda as pessoas, e então eu fico espantado em ver os vídeos que mostram Curitiba como uma cidade europeia maravilhosa e com soluções inéditas de urbanismo e locomoção. Poderiam mostrar também estas mazelas para que a imagem aparentasse mais real, não; pois isto se assemelha mais com propaganda enganosa! Olhando estes desenhos do portal de entrada deste casarão, você se sente confortável em vê-lo desabando e sem nenhuma ação da Prefeitura? Se não há uma lei para proteger os interesses da cidade e do cidadão, então já passou da hora de colocar esta necessidade em votação nas sessões públicas, visto que estamos desprotegidos e abandonados, embora estejamos contribuindo com os nossos impostos, e essa enorme quantidade de casas e prédios abandonados e falidos poderiam ter lei específica de leilões ou negociações para torná-los úteis em benefício do cidadão e da própria imagem da cidade. 

Árvore vestida de verde

Árvore vestida de verde

O morador atento de uma cidade é considerado chato, pois ele usa a cidade e quer que a mesma seja admirada por todos, que ela seja simplesmente  boa de morar, mas que sabe que isto é difícil num país decadente como o nosso. Agora, se você não se incomoda com as mentiras da mídia oficial, expressa neste monte de vídeos que mostram as coisas de forma parcial e fantasiosa, então você não se importa com a cidade, pois os prefeitos e políticos em geral não se importam com ela, e se aceitarmos esta velha conversa fiada de que somos perfeitos por aqui, de acordo com o papo furado oficial, as coisas vão continuar piorando. Enfim, nesta fotos vemos uma árvore com lindo e bem cuidado ornamento, mas que parece que vai desabar no futuro, visto que já está se inclinando, e aí fica a pergunta se foi feito um estudo sério para saber se estas espécies se adaptariam às calçadas das cidades, e o que está sendo feito de prático para evitar mais mortes.

História nas tampas de ferro

História nas tampas de ferro (Curityba 1914)

Tampa da Telepar

Tampa fabricada por “Mueller Irmãos”

Seguindo em frente, se olhamos para o chão perceberemos esta tampa de ferro da imagem maior, que está numa calçada próxima ao Cefet e traz a inscrição do ano de 1914, e a sigla CTP. Como os telefones foram implantados bem mais tarde, não consegui achar um significado para esta sigla, e nem estou certo de que este número trate-se do ano de fabricação ou colocação da mesma neste local, mas achei interessante e histórico, visto a maneira que está escrito Curitiba, com “Y”, e se alguém souber mais detalhes sobre isto, agradeço. Já esta segunda tampa da imagem menor tem dois fatos históricos, pois a Telepar ( Telecomunicações do Paraná S/A) é bem mais recente, mas já faz parte da história também, e o fabricante da tampa foi o Mueller Irmãos, onde hoje temos o Shopping Mueller. Poderíamos falar sem parar de todas as belezas e características de Curitiba, elogiar seu desenvolvimento humano e urbanístico, suas soluções inovadoras e ideias de primeiro mundo, mas não podemos esquecer que, como cidadãos, temos a missão de apontar problemas e possíveis soluções para que nossa cidade melhore, e constatamos que isto não está acontecendo, pois quando caminhamos pela cidade, vemos calçadas ruins como sempre e falta de segurança e policiamento, se andamos de carro, vemos ruas alagadas e asfaltos destruídos quando ocorrem os temporais de fim de tarde, e se optamos pelas ciclovias, estas estão incompletas e cheias de buracos e obstáculos, com sinalização ruim e com repetidos assaltos aos ciclistas. Não cabe tanto assunto numa só matéria, mas fica aqui um resumo, uma amostra de um pequeno canto de Curitiba, um bairro próximo do Centro da cidade, que à exemplo de muitos outros, pede socorro aos administradores.

Esta é a visão de quem anda pela cidade, e ama sua história!

 

Viva Curityba 326 anos!

De bike pelos parques

De bike pelos parques

Eu sou o Mauricio Super

Cidadão de Curitiba

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