Curitiba histórica, turista local – Capítulo I

Curitiba histórica, turista local – Capítulo I

Aguadeiro apanhando o líquido no chafariz da pç. Zacarias em 1905

Estamos começando uma nova fase do Baú dos Antigos, e esta matéria inaugural vai ditar o tom desta mudança!  Se você espera uma matéria sobre turismo histórico, esqueça, não será este o tema… 

Vamos falar de Curitiba para turistas avançados, e para quem mora aqui. Isso mesmo!  Parece piada, mas se perguntarmos sobre Curitiba por aí, poucos vão responder certo sobre seus endereços e costumes. E isto é normal, não temos tempo de conhecer nosso próprio quintal. Então vai ser legal para o turista que quer passar despercebido e se misturar aos costumes locais, e para quem mora aqui, e quer conhecer melhor sua própria cidade. Esqueça os guias de turismo, e vamos láconhecer um pouco de Curitiba!

Venha para Curitiba…

Antes de iniciar a matéria vamos dar algumas dicas de hotéis, afinal, se você não mora aqui, tem que estar aqui pra conhecer a cidade. Se você tem bastante dinheiro pra gastar em Hotel, existem muitas alternativas boas e caras, inclusive no Centro, embora nos últimos tempos os melhores hotéis estão sendo construídos um pouco mais afastados, em bairros mais nobres e seguros, como o batel. Como toda capital, o Centro de Curitiba não é seguro nem chique. Mas se você não é tão exigente e aceita um certo risco, em especial à noite, fique no Centro, pois de dia é mais tranquilo e seguro, e você estará perto dos principais pontos turísticos para ir a pé, como a Rua XV e o Largo da Ordem, no setor histórico. Seguem alguns hotéis com boas notas no hotéis.com, mas tem muitos outros lá pra você consultar, e em outros vários sites, para todos os bolsos e gostos. Gosto dos hotéis mais antigos, acho sem graça os modernos; adoro as fachadas rebuscadas e móveis escuros, e os pórticos clássicos de madeira verdadeira entalhada e tal.

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Trevi Hotel Business – Rua Ébano Pereira, 139 (0800-0385023)

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Hotel Curitiba – R Ermelino de Leão, 45 (0800-7621471)

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Hoteel Del Rey – R Ermelino de Leão, 18 (0800-7621472)

 

 

 

 

Agora que você já está em Curitiba, vamos à Matéria! 

 

 

Nestes hotéis você fica bem no Centro e os preços são razoáveis, a não ser que você queira ficar num Hostel, ainda mais em conta, você vai encontrar também. Uma curiosidade, Hoteel Del Rey se escreve com dois “es” mesmo.

 

 

Arquitetura Modernista

Rubens Meister é citado como principal responsável pelo movimento modernista da arquitetura de Curitiba, e seu escritório foi responsável por projetos importantes desta escola de arquitetura, como o conhecido Teatro Guaíra, a Reitoria da Universidade Federal do Paraná e o Centro Politécnico. A arquitetura de Curitiba é marcada por este importante movimento, que iniciou por volta da década de 1950. Vá conhecer!

teatro guaira

Teatro Guaíra (1948) palco dos principais espetáculos da Cidade

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Pátio da Reitoria da UFPR, cenário de muitos movimentos de protesto estudantis, até acampamentos.

É provável que Rubens Meister tenha influenciado outros nomes importantes deste movimento, que são vários, mas como não é produtivo citar todos nesta primeira matéria, vamos falar de dois apenas, e na sequência vamos citando outros nomes importantes, em próximas matérias que virão.

 

Ayrton Lolo Cornelsen

Nasceu em Curitiba e concluiu seu Curso de Engenharia no Rio de Janeiro. Foi crítico do plano do IPPUC na época que não aprovou a implantação de largas avenidas no Centro, ficando estreito e apertado do jeito que é hoje, com pouco espaço para circulação. Mais intimista e fechado, tornou-se perigoso em algumas áreas históricas, em especial à noite. Para isto tem solução, basta um policiamento bem ostensivo e fiscalizar melhor os estabelecimentos que exploram a vida noturna. Mas isto está longe de acontecer, então cuidado à noite, especialmente no Largo da Ordem.

Seguem belos exemplos da Arquitetura Modernista de Ayrton Lolo Cornelsen

Casa Marcos Axelrud - 1953 - Ayrton Lolo Cornelsen

Casa Marcos Axelrud (1953)

casa romario pacheco 1953

Casa Romário Pacheco (1953)

 

 

Mas e o outro lado?

Curitiba tem prédios históricos muito mais antigos, anteriores à este movimento, protegidos pela Lei do Tombamento, mas trata-se de um grupo de prédios de interesse público. Existem critérios para este enquadramento, e muitos estão fora desta proteção, eles poderiam ser bonitos e históricos, mas ao contrário, denigrem a imagem da cidade apesar de todo o esforço do Poder Público para nos convencer que Curitiba é só maravilhosa. Não acredite. Basta sair por aí para ver estes prédios, que podem até desabar em cima de nós a qualquer momento, por vezes viram “mocó” de mercadorias roubadas e moradia sem consentimento. Se a culpa é do proprietário ou da Prefeitura, quem paga a conta é você, seja turista ou more aqui,  pelo perigo de passar sob marquises em vias de desabar, seja pelo descaso e vergonha de exibir estas feridas abertas, que poderiam ser curadas com boa vontade, seja com leis mais rígidas, ou com o cumprimento das que já existem. Não sei porque isto acontece, o que você acha, participe e dê sua opinião de como resolver esta questão! Este é o objetivo principal da nova fase do Baú dos Antigos, mostrar os dois lados da moeda, e propôr mudanças pra termos orgulho da nossa cidade, e apresentá-la limpa e bem conservada, com uma administração inteligente e exemplar.

Então vamos lá, seguem alguns exemplos destes problemas, encontrados sem muito esforço

prédio abandonado mal floriano

1-Prédio abandonado na R Mal. Floriano, próximo à UTFPR, dá a sensação de que vai desabar em breve…

predio abandonado mal floriano interior

2-Interior do prédio acima, foto 1, disponível para ocupação irregular.

marquise ruim 1

3-Vegetação crescendo na marquise, imagine a infiltração

marquise ruim 2

4-Prédio na R. XV esquina Mons Celso, mesmo da foto 3; patrimônio histórico ameaçado?

marquise ruim 3

5-Mal. Floriano, e nem está abandonado… em teoria!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E as calçadas de pedestres em Curitiba… outro perigo que devemos nos preparar para enfrentar, com botas e tal, especialmente nos dias de chuva, em que pisamos nos blocos soltos e o barro sobe em direção às nossas pernas, quando não escorregamos pra tentar desviar dos buracos cheios de água ou lama! Os idosos especialmente agradecem a consideração, e os tombos são frequentes.

 

calçada ruim 3

Esta calçada fica na entrada de um prédio público na Barão do Rio Branco.

calçada ruim 1

Cuidado com as pedras soltas no passeio, tombos são comuns e ninguém se responsabiliza…

 

 

calçada ruim 2

R Barão do Rio Branco, água parada que fica por dias após a chuva parar…

 

Também temos árvores, muitas árvores, que foram plantadas com boa intenção, transformando Curitiba na Capital ecológica, com um alto índice de área verde por habitante (54,07 m). Porém, algumas destas espécies não se adaptaram à cidade, faltou um estudo mais aprofundado, e adoeceram e estão caindo, e não escolhem hora. Já caíram em cima de carros e até em cima de um casal esses tempos, causando vítimas fatais em ambos os casos. Sabe-se que há cortes e podas programadas (bem esquisitas por sinal), mas se você foi vítima, não vai querer saber se há um plano para evitar estas tragédias, vai certamente se enfurecer pela demora na resolução do problema de uma vez.

arvore caindo aos poucos

Árvore na pç generoso marquês, questão de tempo para desabar

poda "esquisita"

Poda “esquisita” devido à fiação elétrica, estas árvores são adequadas para a cidade?

perigo ao lado, arvore cedendo

Vamos torcer para esta árvore não cair, senão…

arvore com saude comprometida, mesma anterior

mesma árvore da primeira foto, com a saúde comprometida

Para fechar a matéria, seguem fotos de alguns “cidadãos” que você sempre encontra no caminho! Agora vamos raciocinar juntos, numa caminhada de uma manhã, em menos de duas horas, tirei 180 fotos, encontrei  7 prédios históricos abandonados, 27 marquises com sérios problemas de segurança, 8 moradores de rua e tantos problemas em calçadas e árvores, que nem dá pra fazer a conta! Então, parece que não existem leis para coibir estes descasos, mas se existem, e se eu fosse um fiscal da Prefeitura, teria encontrado muito serviço, certo? Mas, enfim, não dá para pensar com lógica, e estes problemas continuarão sem sabermos qual a solução! Ou você sabe o que deveríamos fazer para termos uma Curitiba mais preservada? Tem alguma sugestão? Espero sua participação; vai, dê sua opinião…

E vamos às fotos prometidas

morador rua 1

Show de cores… situação triste

morador rua 2

Neste local, ao lado de um prédio público, ficam até 10 moradores o dia todo

Portanto, você turista avançado, ou turista local, aprecie a arquitetura da cidade, mas fique esperto para não se machucar ou ter problemas devido a esta mesma arquitetura, quando abandonada e desleixada…

Esta é a primeira de uma série de matérias sobre Curitiba, mostrando o lado histórico e bonito, mas também falando do outro lado, mostrando que precisa ser feito algo para melhorar e evitar a deterioração gradual de tudo que foi construído com o nosso dinheiro, e que sofre pela falta de interesse em melhorias, os pequenos projetos ficam pela metade, e tem apenas a manutenção muito básica! Mas vamos lá, é o que eu penso, e você, discorda de mim? Então se pronuncie, dê sua opinião! Como estamos, o que pode melhorar, ou está bom assim para você? Que leis podem ajudar a melhorar isto e quem deve fiscalizar a aplicação das existentes? Não quero falar sozinho, quero sua opinião!

paço municipal, bom exemplo preservação

Antigo Paço Municipal, Pç Generoso Marquês, exemplo à seguir!

 

Até a próxima!

Mauricio Super

 

 

 

CC BY-SA 4.0 Curitiba histórica, turista local – Capítulo I by Baú dos Antigos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

One Response so far.

  1. […] Bem, daí pra frente denunciamos as péssimas calçadas, os pedintes sem teto morando no centro, as árvores desabando e o abandono da Cultura Antiga, em imagens reais deste descaso de muito tempo! O bicho pegou nesta nova fase! Confira lá no Post […]

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