Mitologia Grega – Uma visão atual S01E02 A Primeira Geração Divina

Mitologia Grega – Uma visão atual S01E02 A Primeira Geração Divina

Olá, estudiosos, estudantes e interessados na Mitologia Grega, estamos de volta. Esta é a sua área de estudos do Baú dos Antigos, o seu lugar para tirar dúvidas e aprender mais sobre os temas relacionados ao assunto. Prosseguimos nossa viagem à Hélade para explorar o assunto sob a ótica atual! Aqui você enfim vai entender melhor sobre mitologia!

Gaia

Gaia, Géia, Gea ou Gê é a deusa da Terra, a Mãe Terra – fonte: Mitologia Grega

A Mitologia Grega chega até nós pelas mãos de historiadores que se dedicam à árdua tarefa da decifração de linguagens arcaicas e símbolos registrados em tabuinhas e na interpretação de poetas da antiguidade ao longo de vários séculos, e sendo assim precisamos entender primeiramente o contexto em que estes registros foram feitos, primeiramente através de cantos, pelos “aedos” e “rapsodos”, ao som da lira, quando ainda não existia a linguagem escrita, seja para transmitir a história para as futuras gerações, seja para distrair os nobres em ocasiões especiais. Mas como nosso assunto hoje é a primeira geração divina, vamos começar por este resumão:

 

Esta introdução será muito útil para ordenarmos a geração de deuses que iniciam esta saga da Mitologia Grega que chega até nós depois de tantos séculos de história. Perceba primeiramente que quando nos aprofundamos neste estudo, consultamos a opinião de quem entende do assunto e que passa a vida estudando e interpretando os achados para nos trazer a verdade, ou a melhor aproximação desta para quem se interessa em penetrar no mito e decifrá-lo à luz dos nossos dias. Saiba que este desafio é ingrato, e que um achado nos leva a outro e assim por diante, e se você espera compreender perfeitamente este assunto, é melhor desistir agora, pois o caminho é longo e tortuoso, e você verá que o mito é complexo e se envereda por inúmeros mistérios não decifrados pelos estudiosos, até nos deixar perplexos e perdidos em deduções e conclusões de dezenas, senão centenas de autores que o cutucam em busca da verdade. Uma das questões (insolúveis) que nos deparamos é a presença constante da figura poética sobrepondo a narrativa histórica na antiguidade.

Homero

                     Homero-fonte: Rúbida Rosa

Para ser mais claro, o que ocorria é que os aedos, como Homero, “cantavam” as poesias, como a Ilíada e a Odisséia, atribuídas à ele, embora muitos historiadores discordem. Foram concebidas em Hexâmetro datílico, um esquema rítmico para epopeias heroicas; Pois bem, mas para que este ritmo fosse grandioso e empolgante, era importante criar figuras poéticas que por vezes estariam exagerando os fatos e atributos do personagem ora cantado ou a ação descrita, tornando este aedo desejado nas diversas ocasiões. Ora, se formos trazer para os dias de hoje, um cantor apenas narrando um fato numa música seria chato, então gostamos de ouvir músicas empolgantes com cantores empolgantes, e o aedo era um “cantor”. Para ficar ainda mais claro, a diferença entre um aedo e um rapsodo, é que este último era um recitador de poesias, que não as compunha, como o aedo, e não usava a lira ou fórminx. Mas, afinal, vamos falar da Primeira Geração Divina? 

Caos: Deus Grego Primordial?

Caos, Deus Grego Primordial? – fonte: Eventos Mitologia Grega

Se você acompanhou até aqui, certamente gosta muito do assunto. Então, se quiser entender melhor o princípio de tudo segundo a Mitologia Grega, veja o episódio piloto da série e verá que é bem esclarecedor, com um ótimo vídeo sobre a origem do mundo. Após ter lido os principais autores da Mitologia Grega, confesso que não me convenci de que “Caos” seria o primeiro Deus, o Deus primordial, e sim um estado da matéria, e segundo as pesquisas do imprescindível Professor Junito de Souza Brandão, Caos, em grego significaria abismo insondável, e consoante Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, o caos é “a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem não havia ainda sido imposta aos elementos do mundo”. Então, se Caos era anterior à criação, não era um deus, e sim o elemento primordial dotado de grande energia prolífica, que teria gerado, num determinado momento, os deuses primordiais. O esquema abaixo é muito didático e interessante, em seguida vamos aos comentários necessários sobre este começo apoteótico do mundo .

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Esquema extraído de: Wikipédia Deuses Primordiais
                                 Genealogia de Hesíodo     
Fonte: Mitologia Grega - Deuses, Heróis e Mitos. 80 p. Abril Coleções, Ed. Abril, São Paulo, abril de 2013. ISBN 978-85-364-1646-5

Fonte: Mitologia Grega – Deuses, Heróis e Mitos. 80 p. Abril Coleções, Ed. Abril, São Paulo, abril de 2013. ISBN 978-85-364-1646-5

Segundo Hesíodo, Geia, em grego Gaîa, é a Terra, elemento primordial e deusa cósmica. A imagem é ilustrativa apenas, e não reflete exatamente a imagem que surge em nossa cabeça, mas é uma linda representação romântica desta ideia. Sendo Geia a deusa Terra, não estaria segurando ela, e sim seria ela própria. No início da matéria a imagem é mais representativa neste sentido, mas nesta imagem são representados os elementos vizinhos do universo, criando um ambiente mais factível de se observar.

Mansões do Tártaro

Mansões do Tártaro – fonte: mitobook

Geia é feminino, é a Terra-mãe, é mulher e dela nascem todos os seres, e demonstra que a mitologia grega iniciou seu ciclo com uma orientação matrilinear, ou seja, a mulher com o poder de gerar a vida, e esta retornando a ela. Do Caos primordial ainda surgem Tártaro e Eros, e também Érebo e Nix. O Tártaro seria a região mais profunda da Terra, sendo que a Terra, neste princípio, era imaginada com seus montes, como o Olimpo, e circundada pelos Oceanos e Rios. A profundidade do Tártaro é comparada com a distância entre o céu e a Terra; Hesíodo descreve como a queda de uma bigorna de bronze precipitada do céu por nove dias e chegando a Terra apenas no décimo, e da mesma forma esta bigorna cairia por nove dias, à partir da superfície da Terra, para chegar ao Tártaro no décimo, nos dando uma boa noção desta distância absurda. Este local é descrito como mofo e úmido e dali ninguém sai, pois possui imensas portas de bronze e é cercado por uma grande muralha. É equivalente a imagem cristã do Inferno! Seria coincidência ou referência histórica transmitida pela tradição dos povos que já se movimentavam no espaço geográfico, mesclando as crenças e costumes com muita frequência? Quem sabe?

Eros, o deus do amor

Eros, o deus do amor-fonte:Roda de psicanálise

Eros é o deus do Amor, e como todos os deuses e seres da mitologia grega é mutável no tempo, e teve diversas interpretações além de Hesíodo, e a etimologia da palavra em grego vem de “desejo incoercível dos sentidos”. O mito evoluiu para transformar Eros em Cupido na mitologia romana. De qualquer forma, numa das versões o deus é representado como uma criança de extrema beleza, e ainda o mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, e fica claro que nem sempre é bem intencionado, não havendo uma relação entre seus feitos e o amor benéfico, pois ele dilacera os membros e transforma o juízo de deuses e homens, e quem é “vitimado” por suas setas fica sem escolha. Como em muitos casos na mitologia, a análise do ponto de vista da psicologia moderna leva à interpretação de Eros como um contraponto ao deus Tânatos, aquele como pulsão de vida e este de morte, e estes conceitos são bem complexos e exigem uma explicação mais detalhada. Perceba o quanto é inusitado a questão de que o único deus que conseguimos imaginar como uma pessoa, Eros, é um sentimento, e o demais deuses são inimagináveis como pessoas, visto que são elementos da natureza; então fica a questão, qual o objetivo destas personificações? Vamos pesquisar!

Érebo

Érebo, criado por Caos – fonte: Pinterest

Nix, deusa da noite

Nix, deusa da noite – fonte: Pinterest

Caos gerou sozinho as trevas profundas, representadas por Érebo e Nix, e também neste caso existe uma dualidade de ideias, pois Érebo designa as trevas infernais, numa divisão geográfica apresentada com mais detalhes mais tarde, na mitologia, e explicitada ao longo do trabalho de diversos autores da antiguidade; enquanto Érebo habita as trevas subterrâneas, inferiores, Nix personifica as trevas superiores, de cima. De Nix, a noite, por sua vez, nasceram Éter e Hêmera, após a sua união amorosa com Érebo. Éter representa a camada superior do cosmo, entre o céu e o Ar, ou o céu superior, e Hêmera a personificação do Dia, então perceba que são formados pares análogos e complementares, por vezes, e contrários por vezes, mas sempre apresentando esta dualidade de ideias, bom e mau, masculino e feminino, claro e escuro, e assim se fundamentam em matéria prima fértil para profundas análises da psicologia e psicanálise. Está difícil utilizar o Youtube para ilustrar nossas matérias, por vezes os vídeos são retirados do ar, como aconteceu no episódio piloto. Por este motivo, estou inserindo este outro agora, e espero que fique no ar, pois é muito ilustrativo e educativo. Curta aí:

 

Você percebeu que o assunto é extenso, e o vídeo inicial mostrou a “Primeira Geração Divina”, à partir de Geia e Urano, e percebeu também que tivemos que fazer esta introdução inicial, mostrando o que aconteceu antes desta primeira geração, ou seja, os “Deuses Primordiais”, chegando a explorar o Caos, que por alguns autores é já considerado um Deus, mas pertence ao período anterior à criação, ao vazio primordial. Difícil? Sim, este assunto é complexo pela riqueza de documentos analisados pelos historiadores, mas muito prazeroso pelas múltiplas interpretações e facetas que nos permite explorar!

No próximo episódio daremos sequência ao assunto e vamos prosseguir explorando os Deuses Primordiais e a Primeira Geração Divina.

Imagem: Deuses da Mitologia Grega

Eu sou o Mauricio Super

Explorando uma nova ótica do mito

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