Mitologia Grega – Uma visão atual S01E03 Qual a Contribuição do Mito?

Mitologia Grega – Uma visão atual S01E03 Qual a Contribuição do Mito?

Mito: O Deus ThorOlá, estudiosos, estudantes e interessados na História do Mito, especialmente a Mitologia Grega, estamos de volta. Esta é a sua área de estudos do Baú dos Antigos, o seu lugar para tirar dúvidas e aprender mais sobre os temas relacionados. Prosseguimos nossa viagem à Hélade para explorar o assunto sob a ótica atual! Aqui você enfim vai entender melhor sobre mitologia, com opinião em primeira pessoa, mas com referências confiáveis!

O deus Tor dos Vikings na Batalha contra os gigantes. Pintura de Mårten Eskil Winge (1872)

Vamos analisar uma questão básica para podermos prosseguir nossos estudos. A citação do mito de Thor parece que foge do tema Mitologia Grega, ao qual nos propomos a explorar. Quando discutimos este tema, porém, paira uma grande dúvida no ar para quem nos acompanha refletir e procurar uma saída: O que é mito? E qual a relação existente entre este e o rito, e a religião? Não estamos falando de coisas semelhantes, mas acabamos encontrando uma relação entre elas em diversos momentos, em muitos pontos em que há uma convergência para uma linguagem comum, mais ainda, um propósito comum, mais que o simples objetivo de autores que estariam simplesmente escrevendo sobre lendas e costumes que se enraizaram profundamente na cultura, e mais que isso, na psiquê humana, mesmo porque os livros que falam sobre este assunto vendem muito, mas aqueles que explicam de forma acadêmica ficam reduzidos a um público mais avançado, interessado no aspecto histórico filosófico da questão, fazendo parte do estudo das ciências atuais, como a psicologia e a psicanálise. Porém, este interesse está crescendo muito, visto que o livro do Junito de Souza Brandão, citado nesta matéria, adiante, está na vigésima quinta edição, isto em 2013, talvez já tenha saído a próxima fornada.

Vamos para um vídeo:

Neste canal tem diversos vídeos bem didáticos e úteis para quem quer se aprofundar no tema. Para as Culturas Primitivas, e até nos dias de hoje, nas sociedades arcaicas, o mito é um relato de um acontecimento ocorrido no tempo primordial, mediante a intervenção de seres sobrenaturais, onde a partir daquele fato uma realidade passa a existir, seja uma realidade total, como o cosmo, ou apenas um fragmento, como um monte, uma ilha, ou simplesmente um comportamento humano. Resumindo, mito é uma narrativa de uma criação, contando de que modo algo, que não era, passou a ser.

(Medusa) fonte: https://www.odebateon.com.br/quem-era-medusa-na-mitologia-grega/Então, mito não é lenda, não é invenção, não é fábula, mito é um relato de algo real, que existiu? Vamos refletir, e voltar à MITOLOGIA GREGA; O contexto em que surgiram as façanhas destes heróis mitológicos parece ser anterior a 1200 A.C. segundo os fragmentos históricos encontrados, mas Homero foi o principal poeta grego que divulgou de forma oral as histórias heroicas mitológicas, e se ele realmente existiu, fato não comprovado, deve ter vivido entre os séculos VIII e IX A.C. Pois bem, como podemos então fazer afirmações sobre a veracidade ou não destes fatos narrados por este Aedo, em tempos tão imemoriais e por meio de fragmentos históricos?

Podemos inferir sobre o tema com a utilização das ferramentas de nossa formação mental moderna, ou seja, com as experiências, aprendizado e crenças em que fomos inseridos numa sociedade cética e cientificista, em especial nos grandes centros urbanos. Para colocar fatores complicadores desta análise, houve o surgimento de diversas religiões posteriores a Mitologia Grega, que era politeísta e passa a ser confrontada com o monoteísmo, por exemplo, da religião católica. A evolução da humanidade afirma verdades e nega verdades através dos tempos, superando algo acreditado por séculos e introduzindo novas verdades. Mas as diversas civilizações têm diversas religiões, e todas são uma absoluta verdade, para aquela civilização. 

Carl Jung: https://www.comunidadeculturaearte.com/os-preceitos-e-conceitos-de-carl-jung/

Então as religiões que surgiram foram gradativamente apagando os mitos, neste caso analisado, a Mitologia Grega das civilizações primitivas? Bem, vamos fatiar esta questão para tentar entender melhor; em primeiro lugar, a imagem ao lado é de Carl Jung, que empregou pela primeira vez o conceito de Arquétipo, como modelo primitivo do inconsciente coletivo em sua psicanálise, e que fez escola até os tempos atuais, por vezes em contraponto a escola Freudiana. Se a Mitologia Grega serviu como uma das bases para a sua conduta profissional, e metodologia de tratamento, podemos supor que ela ainda está no Arquétipo da civilização moderna. Em segundo lugar, as religiões “emprestaram” ideias heroicas ou épicas desta mitologia para criar o seu mito religioso, em forma de histórias figurativas edificantes de sofrimento, luta e perseverança que resultariam enfim, na vitória final, mas sempre condicionada a subserviência à um ser superior, Divino e Inquestionável, criador de tudo, onde se encontra a explicação para as nossas dúvidas e não se questiona. Este vídeo traz um resumo de alguns dos Deuses da Mitologia, e mesmo sendo polêmico na análise destes e em seu ranking, é interessante e serve ao propósito da nossa análise, evidenciando a violência por detrás do mito, que é o assunto que eu quero abordar neste momento.

 

Pois bem, esta discussão não tem fim, lógico… mas vamos resumir o objetivo da matéria de hoje, e lançar bases para a continuação do tema.

É inquestionável a influência da Civilização Grega no desenvolvimento das demais civilizações mais recentes, e a discussão entre Politeísmo e Monoteísmo causou cisões culturais de grande impacto, pela força inconsciente do mito na psiquê da civilização, sendo assim, fatos e histórias míticas acabam sendo incorporados nas religiões vindouras, que negam o mito, mas o imitam, pois as histórias estão prontas e são boas, afinal, e assim temos até os dias de hoje os reflexos deste mito em nossas ações cotidianas, que foram passados pelos nossos ancestrais através dos séculos, e que continuamos transmitindo inconscientemente, através de figuras de crenças e medos não justificados, por serem imemoriais. Pois bem, se esta violência que permeia o mito e nos causa medo e admiração por este extremo poder, que bem isto pode nos trazer? Não estaria na hora de mudarmos este referencial tão arcaico, e tomarmos rumos mais lógicos e menos escravizantes, onde o verdadeiro livre arbítrio nos permita aprender a tomar para nós a responsabilidade sobre as nossas ações, e não culpar um ser superior por nossos atos, e onde o bom senso pudesse ser determinante no lugar de crendices e costumes irracionais? Eu tenho a questão para colocar, não a resposta, mas penso que o atraso cultural causado por estes mitos é prejudicial para a nossa civilização. Acompanhe os próximos episódios e vamos continuar discutindo a Mitologia Grega, sua influência posterior na literatura mundial, e analisar o mito com uma visão atual!

Fonte de estudo principal desta matéria:

Mitologia Grega, Vol I, II, III / Junito de Souza Brandão, Editora Vozes

Eu sou o Mauricio Super 

Explorando uma nova ótica do mito

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