Mitologia – Heróis no banco dos réus – Ulisses, o embusteiro

Mitologia – Heróis no banco dos réus – Ulisses, o embusteiro

Em tempos de redes sociais, uma palavra se torna constante em nossas vidas: “Julgamento”. Se você não percebeu o que está acontecendo em sua vida nestes tempos turbulentos, então jé é hora de parar e pensar nisso. Mas o assunto de hoje não é Mitologia? Em que momento estes assuntos se relacionam??

Vamos lá entender então…

Ulisses da série britânica "Troy: Fall of a City"

Ulisses da série britânica “Troy: Fall of a City”

O personagem que vai para o Tribunal neste primeiro julgamento é o conhecido Odisseu, que faz o papel principal no eterno clássico da Mitologia Grega, “Odisseia, de Homero”. Odisseu, mais conhecido como Ulisses, está retornando para casa após uma gerra de 10 anos, entre gregos e troianos, por Helena, a mulher de Menelau, que segundo o mito, foi raptada por Páris,  filho do rei Príamo, quando em sua visita diplomática a Esparta. 

Helena da série britânica "Troy: Fall of a City"

A Odisseia deve ter sido escrita após a “Ilíada”, uma vez que a assunto deste é a Guerra de Tróia, portanto, antes do regresso do herói para Ítaca, onde sua esposa o espera e resiste ao assédio dos inúmeros pretendentes, mais de cem ao todo, que estariam acreditando na morte de Ulisses, e segundo a tradição da época, a viúva deveria escolher seu sucessor. Para que o julgamento seja feito, precisamos conhecer os motivos deste, e as evidências são inúmeras para julgar e condenar o réu a extradição definitiva de nossos referenciais civilizatórios. O fato é que a Mitologia Grega influenciou as obras épicas subsequentes, e para citar apenas algumas, a Eneida, Os Lusíadas, e até a sátira Dom Quixote, e até os dias de hoje existe uma tendência de glorificar estes personagens, embora a maioria das pessoas os conheça apenas superficialmente, pelos filmes e séries, que em geral são rasas e não se arriscam a uma análise moral e os feitos doentios destes admirados “heróis”, que de benéficos nada tem para nossa Cultura Moderna. Veja estas cenas e depois continuamos.

 

A Mitologia Grega serve de material de análise para a abordagem da compreensão e do posicionamento do homem no mundo que o cerca. Esta visão é moderna, então imagine o impacto desta revelação da psicanálise, admitindo a influência de um mito sanguinário e opressor em nosso comportamento. Se bons exemplos de superação e fé são colhidos pela filosofia, péssimos exemplos de violência e submissão à deuses manipuladores e sem moral, que brigam entre si por poder e dominação, que exigem sacrifícios dolorosos e libações, que castigam e ofendem os humanos, manipulando suas vidas e divertindo-se lá do alto do Olimpo, com decisões arbitrárias e sem sentido. Não serve para os tempos de redes sociais…

Nesta pintura de Franz von Matsch, vemos Aquiles arrastando o corpo de Heitor, que luta no lugar de seu irmão Menelau, que fora criado por um camponês, e que veio ao mundo por vontade dos deuses para causar esta confusão e matança. Mas o acusado em questão, Ulisses, é declaradamente um embusteiro, pois em suas aventuras de regresso à sua terra natal, fora recebido por Reis e povos diversos, saqueou cidades e matou o seu gado, orgulhava-se de anunciar sua identidade como “Ulisses, conhecido de todos os homens/pelos meus dolos”. 

Ulisses da série britânica "Troy: Fall of a City"

Ulisses é eloquente, e emprega meios persuasivos para alcançar seus objetivos. Reis e rainhas o ouvem atentos até a exaustão, e quando ele para de falar, pedem que continue. Suas histórias são fantasias, exageros e ficções, são “mentiras semelhantes a verdades”. Por influência de Agamenon, convence Aquiles a participar da guerra de Troia, e tem a ideia da construção do “Cavalo de Troia”, presenteando seus inimigos que haviam triunfado e estariam comemorando a retirada dos Gregos da ilha, quando estes em emboscada os atacam e destroem Troia. Em seu retorno à terra natal, Ítaca, se disfarça em mendigo andrajoso e mata todos os pretendentes, numa cena brutal e sanguinária; e tem muito mais confusão do embusteiro Ulisses… Amigos, esta epopeia mítica ocorreu entre 1194 e 1184, segundo os achados arquelógicos. Passaram-se mais de 3000 anos e não largamos esta referência ainda… que desolação! Enfim, eu o declaro culpado e condeno à extradição de minha referência histórica este “herói” sanguinário e trapaceiro, que fez parte de uma história sem sentido para a nossa realidade, e se foi útil para o controle e motivação do povo da época, que se declare encerrada sua missão histórica!

Assim é que relacionamos este tema com as redes sociais, pois se somos julgados em tempo real e devemos nos posicionar contra a corrupção e a ditadura política que assola nossa economia e liberdade, então devemos julgar e condenar falsos heróis e referencias contrárias a nossa nova realidade, encontrando abordagens que nos ajudem a viver melhor em sociedade!

Eu sou o Mauricio Super

Explorando uma nova ótica do mito

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