O Antigo como Cultura

O Antigo como Cultura

O Antigomobilismo e o gosto pelas coisas antigas faz parte de um movimento maior, que nos remete à uma questão cultural muito mais ampla, envolvendo a formação do cidadão desde a infância, suas experiências em família e comunidade, tradição e costumes desenvolvidos durante a sua vida. Deste conjunto de fatores e outros mais nasce um gosto pelo que é tradicional e que sobreviveu às mudanças dos dias atuais, que é voltado apenas para as coisas do presente, sem se preocupar em geral com a História e suas implicações em nossas vidas.

Qual a sua opinião?

Cada um de nós teve uma infância diversa, mas muita coisa acaba sendo comum à um grupo de pessoas que tiveram experiências semelhantes, viveram sua infância de forma parecida, e com costumes que se encaixam num padrão e costumes de um povo, cidade ou origem. Eu desenvolvi o gosto pelas coisas antigas ou tradicionais pela vivência com carros de uma época em que estes eram mais robustos e duráveis, com desenvolvimento mais analógico e simples, sem grandes tecnologias, mas tudo era feito para durar bastante.

chrysler 300h

Chrysler 300H do início dos anos 60

Na foto ao lado vemos um Chrysler 300H e ao fundo prédios históricos da cidade de Antonina-Paraná. Ao longo dos anos em que foi fabricado ele adotou diversas letras para designar seu modêlo, inclusive o 300C que teve um modêlo lançado recentemente para remeter àquele do passado, estratégia que tem sido repetida por várias montadoras, numa onda de nostalgia muito positiva à meu ver. Mas esta Cultura do Antigo não se resume aos automóveis, e em geral o antigomobilista gosta da Cultura Antiga em geral, visto que os encontros de antigos utilizam paisagens históricas sempre que possível, tornando-se estas atrações a mais nestas ocasiões. Não conseguimos imaginar encontros de antigos em instalações modernas e futuristas, pelo menos enquanto algumas paisagens do passado forem preservadas para servir de moldura para os nossos antigos.

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Interior Chrysler 300H

Na foto ao lado vemos o cuidado com o material utilizado para o acabamento do veículo, feito para durar muito, visto que após décadas ainda está como novo, numa época em que o consumidor buscava o padrão de qualidade no concorrente quando não estava satisfeito, e estes disputavam o cliente com estes diferenciais de qualidade. Embora esta regra ainda seja utilizada, o que percebemos é que não há tanta diferença entre os materiais utilizados no acabamento dos veículos de linha, e até alguns sistemas mecânicos como freios, direção e outros são compartilhados por diversas marcas, e quando há defeito várias montadoras são afetadas.

E quanto à Cultura Antiga, você acha que quem gosta de carros antigos compartilha este gosto por outras facetas desta Cultura, como o gosto por prédios históricos e objetos de coleção antigos, que contém uma história do passado?

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Caminhão GMC e ao fundo prédio da Rede Ferroviária que abriga hoje um Shoping Center

Muitos dos presentes aos encontros de carros antigos procuram os muscle-cars de cara e se encantam com a potência e agressividade do desenho destes carros, que até os dias de hoje ainda transpiram esportividade e modernidade em seus projetos. Talvez muitos destes nem gostem da Cultura dos Antigos em geral, pois as experiências de cada um são diferentes, remetendo à discussão inicial. Mas o importante é que cada qual com suas razões e motivações, os encontros não param de crescer em volume e importância, atraindo públicos distintos e parecidos ao mesmo tempo. Na foto ao lado vemos um caminhão GMC antigo e ao fundo o prédio da Rede Ferroviária, em Curitiba, que abriga hoje o Shopping Center Estação. Neste prédio encontra-se uma locomotiva com seus vagões, que faz parte de um acervo do Museu Ferroviário, atração permanente do Shopping. No Brasil, muitas das ações para a preservação da memória fica nas mãos de dedicados colecionadores particulares e entusiasmados promotores de encontros, que fazem de tudo para atrair os amantes de antigos, que por gostar de seus carros, e de exibir seus antigos, não medem esforços para levá-los à público, mesmo com todos os riscos inerentes de viagens e exposição dos mesmos. Quem sabe um dia despertará a boa vontade das próprias montadoras em criar museus de suas marcas, à exemplo do que ocorre nos países desenvolvidos, que preservam por vezes todos os modelos fabricados em belíssimos museus de visitação pública.

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toca-discos pick-up moderno, com tecnologia para reprodução de discos à moda antiga

vaso old fashion

vaso moderno feito de material mais leve imitando uma peça antiga

Até então estamos dando ênfase para a Cultura do Antigo, pois, é lógico, é o que nos interessa neste artigo. E quanto ao papel da tecnologia neste contexto? Para nós que gostamos da Cultura do Antigo devemos ignorar estas mudanças e passar por elas com desdém torcendo para que o mundo volte a fabricar coisas antigas e pare de evoluir com estes equipamentos cada dia mais sofisticados e afastados de tudo que gostamos? Acho que não… e gostaria de citar alguns argumentos.

Afinal, a tecnologia moderna tem algum papel na Cultura do Antigo? E quem gosta de tecnologia moderna não gosta desta Cultura? As fotos ao lado são exemplos de como a tecnologia pode nos ajudar a preservar nossas memórias e nos remeter ao passado, seja ouvindo sua música do passado em vinil com alta qualidade de reprodução, seja transformando esta música do vinil para MP3, ou do CD para MP3 neste mesmo aparelho, para ouvir nas viagens com nossos antigos, seja na possibilidade de se ter um objeto de arte caríssimo numa linda reprodução possibilitada por uma tecnologia de produção moderna. Já estamos tendo acesso a peças de acabamento em reproduções exatas, de ótima qualidade, graças a boa vontade de fabricantes que vêem neste segmento uma oportunidade.

replica maçaneta vidro

Réplica de maçaneta de vidro da década de 70

E Quanto a este site sobre Cultura Antiga? Hoje temos uma facilidade maior de comunicação via Internet e conseguimos difundir as idéias com rapidez de um foguete; tenho um armário onde guardo algumas peças sobressalentes para meu antigo, e lá está um par de amortecedores e algumas pequenas peças de acabamento que comprei sem sair de casa e foram entregues nas minhas mãos. Muitas restaurações são feitas em grande parte via sites e comunicação digital. Os encontros são divulgados no Brasil todo, e em parte o sucesso de um evento como “Águas de Lindóia” que não pára de crescer é justificado por uma rede de comunicação moderna, unindo o Brasil em instantes. Meus amigos antigomobilistas estão sempre conectados no Facebook, ou a maioria deles. Alguns amigos que não aderiram à modernidade acabam esquecendo de ir à alguns encontros, fazer o que!

Muitos podem não concordar, e este é o papel deste artigo, mas quando unimos as boas práticas do passado, os bons exemplos de fabricação e de postura de preservação às modernas práticas de fabricação com consciência e respeito, mantendo o quanto possível a qualidade e com os meios de comunicação para divulgar as boas novas, então estará perfeito. Lógico que não teremos nunca um mundo ideal, mas estaremos no caminho.

Abraços a todos e vamos manter a Cultura Antiga viva! Cada um fazendo sua parte!

 

Publicado em 13 de junho de 2013, Curitiba.

 

Até a próxima!

 

 

 

 

 

CC BY-SA 4.0 O Antigo como Cultura by Baú dos Antigos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

One Response so far.

  1. […] A discussão era sobre o papel da tecnologia moderna ajudando na preservação da Cultura Antiga. Curta lá […]

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