Viajante do tempo – Cap III – 1974… Revolução em Portugal

Viajante do tempo – Cap III – 1974… Revolução em Portugal

Você que me acompanha, está lembrado que na matéria passada mandei notícias de Nova York, de 1980, que estava em ebulição com o assassinato de John Lennon. Confira lá, e vamos em frente, ou para trás, pois hoje acabei chegando em Portugal, depois de uma breve viagem na “Time Machine” até 1974! Hoje é dia 25 de Abril, e logo ao amanhecer o que eu vejo na televisão me deixa abalado:

 

Olha a confusão que eu arranjei, e já estou mandando fotos do que eu acabei de ver pelas ruas, que estão bastante confusas, mas o povo parece estar com esperanças de que este movimento seja libertador para todos. Pela imagem abaixo dá para perceber a interação do povo com os militares.

jovem senhora entregando um cravo para um soldado

Mas estou apreensivo com a possível resistência à este movimento. Não estou muito recordado dos fatos ocorridos nesta época, então vou recorrer aos meios noticiosos e pessoas que se atrevem a andar nas ruas para entender melhor o que está acontecendo. Acabo de falar com alguns soldados reunidos numa rua central de Lisboa, e pedi algumas explicações para me tranquilizar. Eles pediram que eu me acalmasse e perguntaram de onde eu era, e respondi que acabara de chegar do Brasil, e então a conversa se animou pelo parentesco histórico revelado. Ele começou declarando que o movimento se denomina Movimento das Forças Armadas, que pede a rendição imediata do Governo.crianças junto dos militares do movimento

Vemos crianças pelas ruas brincando com os militares do movimento, que dizem que seu chefe estaria recebendo a rendição do governo entregue pelo Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, e que a possibilidade de se fazer a transição em paz era bastante grande. Mas de qualquer forma, teria que se esperar pra ver, e que décadas de Salazarismo, de regime ditatorial não se acabaria da noite para o dia, e então, a situação era de alerta por enquanto, e que devemos nos cuidar. Chegando em outro posto de amotinados, acabei encontrando o Capitão Salgueiro Maia, uma das lideranças do movimento nas ruas. Consegui um relato dele em relação ao plano que se concretizava hoje: Conta-me ele que por volta das 23 horas de ontem foi transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa, no programa de João Paulo Diniz, a canção de Paulo de Carvalho (vencedora desse ano  do Festival RTP da Canção 1974), “E Depois do Adeus” como um primeiro sinal combinado pelo movimento, para  a tomada daCapitão Salgueiro Maia se comunicando com os civisprimeira posição do golpe de estado. O segundo sinal é dado às 0h 20min quando a Rádio Renascença no programa Limite, transmite a canção “Grândola, Vila Morena”  de José Afonso (tema musical até então proibido nas rádios em Portugal), que confirma o golpe  e marca o início das operações. As 4h 26 min é lido o primeiro comunicado do MFA, pela voz de Joaquim Furtado aos microfones  do Rádio Clube Português, seguido do hino nacional e várias marchas militares entre elas a marcha “A life on the Ocean Waves”  de Henry Russel e adotada como o hino do MFA. 

Civis misturados aos soldados do movimento

Vemos que a situação está sob controle, mas como eu venho da nossa época, sei que as coisas não vão ficar tão calmas no futuro, e que a esquerda acabará radicalizando. O que acontece depois está em todos os livros de História: O Governo se rendeu mas exigiu que o General António de Spínola assumisse o poder, por não fazer parte do movimento, o que poderia acalmar as tensões e legitimar o poder. Instituída a Junta de Salvação Nacional (que passou a deter as principais funções de condução do Estado após o golpe), à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas para exercer o cargo de Presidente da República, cargo que ocupará de 15 de Maio de 1974 até à sua renúncia em 30 de Setembro do mesmo ano, altura em que foi substituído pelo general Costa Gomes. Vamos ver como foi a rendição e as negociações que seguem após:

 

Os tempos de fascismo típicos do regime implantado por Salazar estariam enfim acabando? Portugal enfim sentia o gosto da liberdade chegando após este conflito? Estariam as guerras para manter as colônias de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique com os dias contados? Os próximos dois anos serão um período conturbado, com focos de violência entre extremistas de esquerda e direita, até que terão lugar eleições livres e uma Assembleia Constituinte, consolidando assim a Democracia em Portugal. Nem tudo são flores, mas o povo ganha sua liberdade e direitos civis, e o cravo simbolizou este movimento que marcou a História recente de Portugal. Bem, vou me organizar agora, cuidar da máquina do tempo e descansar desta aventura para continuar minha viagem e quem sabe qual será a próxima parada para enviar notícias? Vamos em frente, para o passado…

Fique conosco, curta a página do Baú e acompanhe as notícias do viajante do tempo, para saber mais da odisseia humana…

Eu sou o Mauricio Super

Acompanhando o viajante do tempo

Conheça também o Classificados do Baú!

Acompanhe a gente nas redes sociais, olha as opções:

 

 

CC BY-SA 4.0 Viajante do tempo – Cap III – 1974… Revolução em Portugal by Baú dos Antigos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *